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MSC Cruzeiros retira Ilhéus do roteiro 2026/2027 após protesto bloquear acesso ao porto

A MSC Cruzeiros anunciou a exclusão de Ilhéus de seu roteiro para toda a temporada 2026/2027, um duro golpe para o turismo local e para as expectativas de geração de renda na cidade. A decisão foi motivada por um protesto que interrompeu o desembarque de passageiros no Porto do Malhado na última quinta-feira (22).

Na ocasião, taxistas, motoristas de aplicativo e condutores de vans bloquearam o acesso ao porto, impedindo a passagem de ônibus fretados responsáveis pelo traslado de turistas do navio MSC Harmonia, que transporta cerca de 3 mil passageiros. O ato causou atrasos significativos, transtornos logísticos e comprometeu a experiência dos visitantes — fatores críticos para empresas de cruzeiro, que operam com cronogramas rígidos e altos padrões internacionais de serviço.

Segundo apuração do site O Tabuleiro, o incidente foi determinante para que a MSC encerrasse imediatamente as negociações com o município, que visavam consolidar Ilhéus como destino regular de navios transatlânticos.

A exclusão do roteiro representa não apenas a perda de milhões de reais em circulação econômica, mas também um prejuízo à visibilidade internacional da cidade como destino turístico. Comerciantes, restaurantes, hotéis, artesãos, guias e o setor de transporte são diretamente afetados.

Governo se mobiliza para reverter decisão

Diante do risco de impacto econômico severo, o secretário de Qualificação, Emprego e Juventude do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Magno Lavigne, iniciou articulações emergenciais para tentar reverter o cancelamento.

Ele já entrou em contato com o secretário de Turismo da Bahia, Maurício Bacelar, e se reuniu em Brasília com a ministra em exercício do Turismo, Fernanda Câmara Norat. O caso também está sendo acompanhado pelo ministro titular da pasta, Gustavo Damião Feliciano, atualmente em viagem internacional.

“Estamos tentando ajudar de forma rápida e integrada, com o apoio dos governos estadual e federal e das instituições ligadas ao turismo, para que Ilhéus não perca essa oportunidade de geração de empregos e movimentação econômica. O turismo é vital para a cidade”, afirmou Lavigne.

As tratativas incluem diálogo direto com a MSC Cruzeiros e a CLIA (associação global da indústria de cruzeiros), na tentativa de restabelecer a confiança na segurança logística do destino.

Raiz do protesto: disputa por acesso ao turismo

O protesto que desencadeou a crise foi motivado por reivindicações de igualdade de condições no atendimento aos turistas. Os manifestantes alegam que empresas privadas foram autorizadas a operar transfers exclusivos — contratados previamente pelos passageiros —, levando-os do porto a pontos turísticos como a Catedral de São Sebastião, enquanto profissionais locais ficam à margem do circuito.

Para os trabalhadores, o modelo atual privilegia operadoras externas e impede a concorrência justa, ameaçando sua sobrevivência econômica em alta temporada.

Agora, a cidade enfrenta um desafio urgente: conciliar os interesses locais com os requisitos de segurança e eficiência exigidos pelo turismo internacional — antes que outras companhias sigam o mesmo caminho da MSC.

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