Emenson Silva: “Ilhéus volta ao monopólio do transporte público: mudam os ônibus, muda a empresa, mas o problema continua!”
A continuidade da Via Metro e a perspectiva de uma operação concentrada em uma única empresa rodando na área urbana reacendem uma preocupação legítima: estamos modernizando o transporte público ou simplesmente substituindo os nomes e mantendo a velha lógica de dependência de uma única concessionária?
Porque trocar a frota não significa, automaticamente, melhorar o serviço. Trocar de empresa não garante mais horários, mais linhas, acessibilidade ou atendimento às comunidades historicamente esquecidas.
Os problemas continuam sendo os mesmos para milhares de usuários: ônibus insuficientes em determinadas localidades, horários irregulares, comunidades desassistidas e a ausência de alternativas adequadas para quem trabalha ou estuda à noite e enfrenta dificuldades para voltar para casa.
E fica a pergunta: de que adianta anunciar ônibus novos se o trabalhador continua sem transporte no horário em que precisa? De que adianta falar em modernização se comunidades inteiras continuam esperando por uma linha que não atende às suas necessidades?
Ilhéus não pode aceitar que a discussão sobre mobilidade urbana se resuma à renovação da frota e à escolha de uma empresa. É preciso transparência nos contratos, fiscalização rigorosa, metas de qualidade, cumprimento de horários e participação popular nas decisões.
O transporte público não pode ser tratado como negócio de poucos, enquanto o sofrimento fica por conta de milhares de passageiros.
Se a proposta é mudar, que a mudança comece pela vida de quem depende diariamente do coletivo. Porque, se muda a empresa, mas permanecem os mesmos problemas, não estamos falando de transformação: estamos apenas assistindo à repetição de uma velha história.
ILHÉUS NÃO PRECISA DE UM NOVO MONOPÓLIO. PRECISA DE MOBILIDADE, RESPEITO E TRANSPORTE PÚBLICO DE VERDADE!
Texto de Emenson Silva, radialista e presidente do Gabaritando, maior curso para concurso da Bahia.

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